Recife recebe o Teatro do Parque restaurado e modernizado

12.12.20 - 12H10
Programação especial de reabertura iniciou com noite só para convidados. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR


A noite desta sexta-feira (11) entrou para a história da capital como o dia em que o Recife recebeu de volta um dos seus mais valiosos patrimônios artísticos e arquitetônicos. Unindo equipamentos de última geração com preservação e respeito à memória do projeto de 1929, a Prefeitura do Recife promoveu evento de reabertura do Teatro do Parque, com a encenação da peça Vozes do Recife, da Companhia Fiandeiros. A cerimônia foi limitada a poucos convidados, como forma de evitar aglomeração.

Hoje (12), a programação de estreia continua, com a exibição, às 16h, de cópia telecinada e digitalizada do filme O Canto do Mar, de 1952, do diretor Alberto Cavalcanti. A ocupação da Teatro do Parque ficará limitada a 100 pessoas, entre convidados (50) e público espontâneo (50). A distribuição dos ingressos será a partir das 15h, na bilheteria do Parque.

O espetáculo apresentado na noite de ontem para uma emocionada e saudosa plateia, convidou o espectador a passear por versos poéticos de Joaquim Cardozo, Manuel Bandeira, Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto e Ascenso Ferreira, com o texto e a direção de André Filho.

Antes do decreto do Governo do Estado, publicado esta semana com limitações a realizações de shows, a agenda do primeiro dia oficial de reabertura ao público previa concerto da Banda Sinfônica do Recife, que tem na casa secular sua sede oficial para ensaios e apresentações. O músico, professor e maestro Nenéu Liberalquino, maestro da Banda, esteve presente ao evento, assim como outros artistas e autoridades.

A arquiteta Simone Osias, responsável pela coordenação da restauração, foi a primeira a discursar na noite. Ela ressaltou o meticuloso processo de pesquisa, desenvolvimento do projeto e obra de restauração do equipamento. "O Teatro do Parque está de volta, lindo, glorioso, como ele costumava ser em 1929, quando Severiano Ribeiro fez uma reforma para melhor adequá-lo ao cinema. Foram anos de trabalho duro, de muito amor, muita dedicação, muito suor e algumas lágrimas", disse.

Ao lado de Otávio Calumby, chefe do Gabinete de Projetos Especiais, órgão responsável pela execução das obras, em articulação com a Fundação de Cultura Cidade, Simone Osias agradeceu a todas as pessoas que trabalharam e apoiaram o projeto, direta ou indiretamente.

O presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, Diego Rocha, cumprimentou todos os presentes e fez menção especial aos antigos funcionários do Teatro do Parque, que há mais de 30 anos se dedicam à casa. Também ressaltou a presença de Fernando Aguiar, neto do comendador Bento Aguiar, que construiu com recursos próprios o teatro, em 1915.

"Essa obra não só resgata a aparência arquitetônica, do início do século passado, como também é uma verdadeira máquina do tempo. Pois estamos aqui, ambientados como em 1929, e ao mesmo tempo com equipamentos dos mais modernos". Diego Rocha também exaltou a memória do cineasta pernambucano Alberto Cavalcanti, cuja cinemateca que leva seu nome volta ao Parque, com acervos valiosos ligados à memória da cidade e do estado.

A atriz e secretária de Cultura do Recife, Leda Alves, ponderou a necessária restrição do teatro lotado, visto que o evento de abertura contou com público limitado, devido à pandemia da covid-19. Ela pediu para que todos levassem a sério as medidas de prevenção à contaminação do novo coronavírus, pois dias melhores e de grandes momentos para a arte e o povo recifense irão de vir, tendo o palco do Teatro do Parque como um dos seus principais personagens.

Leda Alves lembrou que é em lugares como o Teatro do Parque onde cidadãos e cidadãs estabelecem fortes ligações de afeto. "Ele renasceu para ser o lugar do encontro das pessoas", disse.  De cima do palco, onde viveu grandes emoções trabalhando como artista, ela declarou aos presentes: "Olhar daqui e ver vocês é repetir uma sensação e uma alegria que me movem até aqui".

A secretária de Cultura reverenciou ainda a memória de Manoel Albino da Silva, flautista da Banda Sinfônica do Recife, falecido recentemente e bastante querido pelos companheiros músicos.

MOMENTOS - Confira em nossa galeria fotos do especial de reabertura, aqui.


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